domingo, 10 de abril de 2011

Profissão de Interprete: Reconhecimento pode abrir vagas

Profissão de Interprete: Reconhecimento pode abrir vagas
Matéria do Jornal do Trem de 01 à 07 de Outubro de 2010

Professor de tradutor intérprete em Libras ganha normas próprias, favorecendo o setor e a inclusão social.
Por Rafael Barreto

O mercado tem agora novos profissionais, os tradutores intérpretes em Libras (Língua Brasileira de Sinais). Uma afirmação que a princípio é no mínimo estranha, afinal quem nunca reparou nas pessoas que traduzem a língua falada aos surdos, e até surdo – cegos. Mas a regulamentação da profissão é recente, e traz normas especificas ao setor, o que deve gerar novas oportunidades, reconhecimento aos trabalhadores atuais, além do principal: um primeiro passo para garantir efetivamente a inclusão e acessibilidade à população surda no país.

Línguas de Sinais

Assim como o inglês, francês, espanhol e tantas outras línguas, a língua de sinais não é universal. A brasileira, por exemplo, foi desenvolvida a partir da versão francesa e reconhecida oficialmente em 2002 como Libras (Língua Brasileira de Sinais). Esta linguagem possui uma estrutura gramatical própria e também é marcada por regionalismos, da mesma forma que acontece no português, em que mandioca, macaxeira e aipim são a mesma coisa. Por isso, não basta conhecer os sinais de forma isolada para se comunicar em Libras.

O que muda?
A tradução em Libras é reconhecida como profissão desde 2004 e só recentemente teve sancionada a lei que estabelece normas especificas para o setor.
A medida, que determina entre outras as obrigações e formação mínima para atuação na área é bem vista, embora “não seja bem o que estávamos esperando”, como diz a presidenta APILSBESP (Associação dos profissionais intérpretes e guias intérpretes da língua brasileira de sinais do estado de São Paulo), Elisabeth Figueira.
“Ela resolve alguns problemas de contratação e define funções”, aponta Elisabeth ao citar dificuldades encontradas por alguns profissionais em salas de aulas. “Enquanto professores e alunos estão férias, o intérprete permanece nas escolas e acaba desempenhando atividades que em nada têm haver com a função, além de até então serem contratados nos mais variados cargos”, explica.

No mercado
“Antes a profissão era vista como um trabalho voluntário, e a, lei a trouxe para algo mais sério, com exigência de ética, onde o profissional terá que se diferenciar”, aponta a intérprete na Ateal (Associação Terapêutica de Estimulação Auditiva e Linguagem), Doani Emanuela Bertan. Ela acredita em um aquecimento do mercado, impulsionando ainda pelo prazo da adequação à Lei da Acessibilidade, no fim de 2010, que determinava a disponibilidade de intérpretes em alguns estabelecimentos. Embora tenha se passado 5 anos para a adequação à norma, “o contratante pode ficar receoso em como selecionar os profissionais, mas as instituições de surdos poderão cumprir um importante papel de auxilio neste momento”, aponta Doani.

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